The Social Network (A Rede Social)

É fascinante a história que envolve a ascensão de Mark Zuckerberg, um jovem estudante de Harvard que criou uma rede social na net que viria a revolucionar toda a comunicação online dos tempos modernos: o Facebook. Mas “The Social Network“, antes de ser uma biografia de um caso de sucesso, é um conto moral sobre a misantropia dos que não sabem comunicar. O que nos diz o caso Mark Zuckerberg, o maior bilionário jovem do mundo? O que precisamente veicula a tagline promocional do filme: «Não chegas aos 500 milhões de amigos sem fazeres alguns inimigos.»


Crítica: Vi pela primeira vez “The Social Network” em 2010, ano em que foi lançado. Fiquei com muito boa impressão do filme, e resolvi não fazer uma crítica sobre ele aqui no blog, pois era minha intenção revê-lo posteriormente e depois sim, escrever uma crítica mais detalhada. O filme é excelente… temos uma história interessante que foi transportada para o ecrã de forma perfeita. É daquelas histórias que podia ser contada num documentário aborrecido de uma hora, ou como foi o caso, num excelente filme, se for “idealizado” pelas pessoas certas. O filme desenrola-se a um nível frenético… é incrível como um filme com quase duas horas, parece passar tão depressa, pois conseguiram tornar a história tão interessante, e o ritmo do filme é tão elevado que “desliza” até ao final. Só é possível implementar este ritmo, com a excelente banda sonora, de Trent Reznor e Atticus Ross.

O elenco, é também ele excelente… a interpretação de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg é das melhores que vi nos últimos anos!

O elenco, é também ele excelente… a interpretação de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg é das melhores que vi nos últimos anos. A personagem encaixa de forma perfeita. Ao ver o filme, senti que estava a ver a história real, porque a personagem transmite esse realismo. Embora eu acredite, que toda aquela personalização da personagem, como sendo um super anti-social, tenha sido um pouco excessiva, e baseada um pouco nos clichés associados aos génios informáticos, logicamente que ele devia ser “um pouco” anti-social, mas julgo que não tanto como o filme faz parecer… Embora possa parecer real, o filme é ficção, existirão vários aspectos que com certeza não corresponderão à realidade. Andrew Garfield têm um grande desempenho também, tão bom ou melhor que Jesse Eisenberg.

O final do filme considero que seja um pouco “lamechas”… mas ao mesmo tempo é convincente. Segundo o filme, Mark Zuckerberg começou o Facebook não só para ser reconhecido por todos, mas principalmente para ser “admirado” pela sua ex-namorada, e assim começou o filme, tinha toda a lógica em acabar da mesma forma.

Este jovem que criou o Facebook, supostamente por estar ostracizado num meio competitivo em Harvard e por não ter conquistado a sua rapariga de sonho, chegou ao sucesso não apenas por ter atraiçoado amigos. Não, o segredo de Mark foi ter vivido uma visão sem desvios. Para se chegar ao pote de ouro é preciso estar focado ou mesmo obcecado na nossa visão. Mark não viu mais nada enquanto não encontrou forma de aperfeiçoar a sua criação, e acreditou que, como ele, também milhões de pessoas tinham dificuldade em encontrar amigos. Depois, claro, quando se chega ao tesouro as circunstâncias e os eventos arrastam-nos inexoravelmente e, às duas por três, somos apenas leais à nossa ambição.

A pergunta fica no ar: Mark seria assim tão ganancioso? O filme, sempre assumido como uma história de cinema e não tanto como um caso cem por cento verídico, vale por nos revelar que a ganância deste rapaz é apenas uma: levar até ao fim a sua vingança contra o mundo. É pois um retrato de alguém que terá falhado como ser humano mas triunfado como entre-preneur. Um génio que quis sempre mais. É o derradeiro triunfo dos geeks. Basicamente, diz-nos que para sermos milionários assim de repente e vertiginosamente é preciso pôr a alma de lado. No fim, há um plano sobre os olhos de lesse Eisenberg que parece conter toda a sua solidão. Há sempre um preço a pagar…

É importante salientar que o filme não toma partidos, o espectador é que têm de tirar as suas próprias conclusões, o que é excelente. Mas deixa muitas dúvidas no ar para serem esclarecidas, o que é normal. Existem coisas que nunca poderão ser explicadas, mesmo os protagonistas reais desta história, com certeza que terão todos versões diferentes do que se passou.

Para alguns Mark Zuckerberg é um génio incompreendido, para mim é simplesmente uma pessoa inteligente, um excelente programador informático, com graves problemas em estabelecer relacionamentos pessoais. Está opinião pessoal é baseado naquilo que a personagem do filme transmite. O seu objectivo nunca foi ser bilionário, mas ansiava ser reconhecido por algo, essa ansiedade tornou-se numa obsessão.  A meu ver Mark Zuckerberg é uma pessoa egoísta, e com um carácter muito duvidoso. Agarrou numa ideia que não era dele, e utilizou-a sem querer partilhar os direitos da mesma com mais ninguém. Independentemente da veracidade dos factos retratados, é difícil apontar críticas negativas ao filme… Foi com toda a certeza um dos melhores de 2010.


Título Original: The Social Network (2010)
Realização: David Fincher
Argumento: Aaron Sorkin, Ben Mezrich
Actores: Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Andrew Garfield, Armie Hammer
Género: Drama
Avaliação: 7 out of 10 stars (7 / 10)


André Ramalho

Sou um apaixonado por filmes e cinema, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar as minhas opiniões e críticas sobre filmes.

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